Comandante do 28º Batalhão de Polícia Militar fala sobre crise no Estado

Tenente-coronel explicou a rotina dos policiais para driblar a crise financeira e garantir a segurança dos cidadãos

A crise financeira que assola o estado do Rio de Janeiro respinga em diversas instituições públicas. Na segurança não é diferente. Faltam recursos e os repasses, quando chegam aos batalhões e delegacias, estão atrasados. O comandante do 28º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Damião Luiz Portella, em entrevista exclusiva ao jornal Ponto, falou sobre os reflexos da crise no estado. Para ele, as cidades cobertas pelo 28º BPM, porém, têm um trunfo: os policiais são moradores do interior e querem garantir, mais do que nunca, a segurança dos municípios onde moram e constituíram famílias.

“Essa crise abala diretamente nossa instituição. Na verdade, não só o 28º Batalhão, mas qualquer órgão do estado do Rio de Janeiro. Temos tido grandes dificuldades, principalmente na manutenção de nossas viaturas e abastecimentos. Mas a crise financeira afeta no policiamento, porém, não influencia na boa vontade dos nossos policiais. Esse é nosso trunfo. Nossa grande vantagem aqui é que os policiais residem nos municípios de abrangência do 28º, que são Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral. Ele mora aqui, tem sua esposa, seus filhos e amigos. O compromisso dele com a segurança pública está muito forte, apesar das dificuldades”, enfatizou o comandante Portella.

Portella explicou que a área de abrangência do 28º BPM é grande, por isso, as manutenções nas viaturas se fazem necessárias frequentemente. “O desgaste de óleo e pneus é muito grande. Até maior do que em outras cidades. Temos conversado com a tropa para tentar otimizar a utilização das viaturas. O prefeito de Volta Redonda também tem ajudado o batalhão na compra de peças, o que dá um fôlego para nós. Além da parceria com a Guarda Municipal nas rondas comerciais”, disse o comandante, acrescentando que os salários dos policiais têm atrasado, mas que são pagos dentro do mês: “Abrimos um canal de diálogo com o policial militar e ele tem se doado, porque reside aqui. Talvez esse compromisso não fosse tão grande se ele morasse numa cidade distante”, falou.

Apesar da crise financeira e dos constantes atrasos de pagamento de salários, o 28º BPM é o oitavo colocado em apreensão de armas em todo estado do Rio de Janeiro e está entre os dez que mais prendem pessoas. O efetivo conta com 690 policiais. “Em agosto prendemos 211 pessoas e em setembro foram 180. É recorde absoluto na região. Isso mostra o empenho do policial, apesar das dificuldades que o estado vem apresentando. A população pode ficar tranquila, porque o batalhão está em dia com suas obrigações. O policial está consciente das suas atribuições. É lógico que somos seres humanos, temos nossas vidas particulares, mas eles são servidores especiais e abnegados, em prol da segurança pública destes três municípios”, salientou o tenente-coronel.

FASP VR – Entidades empresariais de Volta Redonda se uniram e assinaram um termo de compromisso criando o Fundo de Apoio à Segurança Pública (FASP) para disponibilizar recursos para atender necessidades básicas das polícias Civil e Militar. “Aqui no interior é um convênio inédito. Isso é muito importante para nós. Essa consciência de que segurança pública não é só uma ação policial, mas que reúne diversos segmentos da sociedade. Só teremos êxito nesse combate se todo mundo estiver junto e em prol da segurança, contra a marginalidade”, finalizou o comandante.

Nathália Azevedo

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