{"id":10413,"date":"2024-03-21T09:37:00","date_gmt":"2024-03-21T12:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/?p=10413"},"modified":"2024-03-21T09:37:02","modified_gmt":"2024-03-21T12:37:02","slug":"artistas-com-down-contrariam-previsoes-e-viram-inspiracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/2024\/03\/21\/artistas-com-down-contrariam-previsoes-e-viram-inspiracoes\/","title":{"rendered":"Artistas com Down contrariam previs\u00f5es e viram inspira\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img alt=\"\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Artistas-com-down-1024x613.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10414\" style=\"width:629px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tintas que saem das m\u00e3os e dos pinc\u00e9is do artista pl\u00e1stico brasiliense L\u00facio Piantino, de 28 anos, trazem uma linguagem abstrata e de sentido humano e inclusivo concreto. O rapaz, multiartista, tamb\u00e9m atua, dan\u00e7a e faz do palco uma pr\u00f3pria casa. Ali, ele encarna palha\u00e7o,&nbsp;<em>drag queen<\/em>&nbsp;e amando tudo o que faz. No momento, outra felicidade \u00e9 que est\u00e1 no caminho de concluir o ensino m\u00e9dio, que chegou a desistir no passado porque viu em escolas lugares hostis para pessoas com S\u00edndrome de Down como ele.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1586542&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1586542&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu sofri preconceito dentro da escola por ter s\u00edndrome de Down. Quando eu era adolescente, minha m\u00e3e me levou a pintar. E eu comecei a minha carreira de artista pl\u00e1stico\u201d, afirmou Piantino em entrevista \u00e0<strong>&nbsp;Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Ali\u00e1s, o momento de dificuldades \u00e9 relembrado como um \u201cmarco\u201d pela m\u00e3e, a produtora cultural e professora Lurdinha Danezy, de 65 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela recorda que, aos 12 anos de idade, o menino pediu uma reuni\u00e3o familiar para se queixar da escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEle disse que n\u00e3o queria mais sofrer. A\u00ed, eu o levei para o meu ateli\u00ea e comecei a dar material para ele pintar\u201d. O artista nunca mais parou. Em telas, lonas, muros\u2026\u201cO primeiro quadro que eu pintei foi o&nbsp;<em>Homem Quebrado<\/em>. Eu peguei uma lona grande, de dois metros\u201d, recorda o rapaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E acrescenta: \u201cquando recebi o diagn\u00f3stico da s\u00edndrome de Down, me falaram que ele iria demorar para andar e falar, e que dificilmente iria conseguir estudar. Eu aceitei o diagn\u00f3stico, mas recusei terminantemente o progn\u00f3stico de defici\u00eancia\u201d, recorda a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Biblioteca Virtual em Sa\u00fade, a S\u00edndrome de Down \u00e9 gen\u00e9tica e determinada pelo fato de a pessoa nascer com um cromossomo a mais (47 e n\u00e3o 46). Entre os tra\u00e7os caracter\u00edsticos, est\u00e3o olhos semelhantes aos orientais, nariz menor e rosto arredondado, al\u00e9m de orelhas e m\u00e3os pequenas e pesco\u00e7o curto e grosso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lurdinha lembra que o filho teve um desenvolvimento motor muito pr\u00f3ximo das crian\u00e7as da idade dele. \u201cEle come\u00e7ou a ler com quatro anos de idade. Com seis, ele &nbsp;estava alfabetizado. Mas tivemos muitos problemas em escolas privadas\u201d. Ela lamenta, inclusive, que o filho tenha sido recusado em col\u00e9gios de Bras\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Peculiaridades<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria do garoto artista foi descrita pela m\u00e3e em dois livros. Uma parceira de pesquisa foi a psic\u00f3loga Elizabeth Tunes, com quem escreveu&nbsp;<em>Cad\u00ea a S\u00edndrome de Down que estava aqui?<\/em>&nbsp;No ano passado, lan\u00e7ou o livro&nbsp;<em>Meu Filho \u00e9 um Artista. Lutas, Viv\u00eancias e Conquistas na S\u00edndrome de Down.&nbsp;<\/em>J\u00e1 s\u00e3o quatro edi\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psic\u00f3loga enfatiza que toda pessoa tem sua peculiaridade. \u201cCada aluno \u00e9 de um jeito. O grande mestre da crian\u00e7a em casa \u00e9 o exemplo. Ent\u00e3o, se voc\u00ea tem pais leitores, a chance de voc\u00ea ter filhos leitores \u00e9 alt\u00edssima. Cria\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe em estado de liberdade\u201d, afirma a pesquisadora. Ela analisa que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o priorizar a s\u00edndrome, mas sim a crian\u00e7a.&nbsp; N\u00f3s precisamos s\u00f3 organizar o ambiente para que ela [a crian\u00e7a] tenha todos os est\u00edmulos para percorrer os caminhos que escolheu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste mesmo sentido, entidades sem fins lucrativos e especializadas como as Associa\u00e7\u00f5es de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) entendem que a cultura e o esporte s\u00e3o fundamentais para inclus\u00e3o de pessoas com S\u00edndrome de Down.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a diretora nacional de assist\u00eancia social da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Apaes, Ivone Maggioni, a arte e o esporte&nbsp;s\u00e3o estrat\u00e9gias que desenvolvem habilidades espec\u00edficas e sociais, incluindo relacionamento entre as pessoas, de v\u00ednculos entre os envolvidos e autoestima. \u201cA Apae [Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Amigos dos Excepcionais] desenvolve essas atividades por meio das pol\u00edticas p\u00fablicas. H\u00e1 entidades em 2,2 mil munic\u00edpios\u201d. A diretora enfatiza que outra estrat\u00e9gia \u00e9 de empoderamento das fam\u00edlias e o fortalecimento de v\u00ednculos da rede familiar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carreira<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de L\u00facio, quando a m\u00e3e viu o menino pintar em estilo abstrato, ela se surpreendeu e resolveu mandar para artistas. O rapaz, assim, j\u00e1 contabiliza 16 anos de carreira, mais de 200 quadros e \u201cin\u00fameras\u201d exposi\u00e7\u00f5es, inclusive em museu na It\u00e1lia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais recentemente, o garoto, que gostava de teatro na inf\u00e2ncia, foi para os palcos com textos da m\u00e3e. Entre as pe\u00e7as,&nbsp;<em>Xaxar\u00e1 e Limonada<\/em>, que \u00e9 um espet\u00e1culo de palha\u00e7aria, e&nbsp;<em>Somos Como Somos e N\u00e3o Cromossomos<\/em>, um espet\u00e1culo solo. Nessa pe\u00e7a, ele faz quatro personagens. A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 da dramaturga M\u00f4nica Gaspar, pesquisadora em curso de doutorado sobre a utiliza\u00e7\u00e3o do teatro para pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Para ela, a diferen\u00e7a entre pessoas at\u00edpicas e convencionais no palco est\u00e1 no tempo necess\u00e1rio para a realiza\u00e7\u00e3o do trabalho. \u201cEu consegui criar o meu m\u00e9todo de trabalho a partir da pessoa que contracena com o L\u00facio, por exemplo\u201d. Ela explica que, nesse m\u00e9todo, o texto anterior ao da pessoa at\u00edpica deve oferecer dicas para a fala do ator com&nbsp;<em>down<\/em>, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;\u201cA gente tenta diminuir o m\u00e1ximo poss\u00edvel o nosso capacitismo, principalmente frente a uma plateia \u00e1vida por classificar pessoas com defici\u00eancia. Eu vejo uma evolu\u00e7\u00e3o muito grande dele\u201d, diz M\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Palha\u00e7o e drag<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, no pr\u00f3ximo dia 24, L\u00facio vai encenar no<a href=\"https:\/\/www.sympla.com.br\/evento\/ii-festival-de-cultura-inclusiva-do-distrito-federal\/2372667?referrer=www.google.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Festival de Cultura Inclusiva<\/a>, em Bras\u00edlia, dois espet\u00e1culos. Um \u00e9 o de palha\u00e7aria e o outro \u00e9 o&nbsp;<em>Conversa de Drags<\/em>. Para a m\u00e3e, tudo o que o filho conquistou \u00e9 uma resposta a quem n\u00e3o confiou ou arriscou previs\u00f5es ruins. \u201cA defici\u00eancia intelectual na S\u00edndrome de Down \u00e9 social, hist\u00f3rica e culturalmente constru\u00edda\u201d, observa a m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No palco ou nas telas, o artista diz que o mais inspirador est\u00e1 na fam\u00edlia e nos amigos. As artes est\u00e3o unidas. \u201cA minha lona de cinco metros virou o cen\u00e1rio da minha pe\u00e7a\u201d. Depois de encerrar o ensino m\u00e9dio, quer fazer o curso superior em artes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">M\u00fasica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro apaixonado pelo palco \u00e9 o mineiro Eduardo Gontijo, ou&nbsp;<em>Dudu do Cavaco<\/em>, de 33 anos de idade. O m\u00fasico toca 10 instrumentos de percuss\u00e3o e, nesta quinta-feira (21), Dia de Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a S\u00edndrome de Down, se apresenta com a cantora Roberta S\u00e1, em show no Teatro Unimed, em Bras\u00edlia. Ele recorda que pegou gosto pela m\u00fasica desde os cinco anos de idade. Desde ent\u00e3o, vive em diferentes ritmos. Samba, pagode, m\u00fasica popular brasileira.&nbsp; \u201cNo palco, eu me sinto com energia boa e levando amor para as pessoas\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse amor ele sentiu dentro de casa. Foi o irm\u00e3o, o advogado Leonardo Gontijo, de 45 anos, 12 anos mais velho que o ca\u00e7ula da fam\u00edlia, se viu incomodado com a exclus\u00e3o e falta de informa\u00e7\u00f5es sobre pessoas com S\u00edndrome de Down. \u201cOs m\u00e9dicos, quando meu irm\u00e3o nasceu, chegaram a dizer que ele n\u00e3o iria andar ou falar\u201d, recorda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele criou uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONG), a Mano Down com a finalidade de apoiar as pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o com diferentes a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o, da educacional ao mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente atende mil fam\u00edlias. Em 1990, a expectativa de vida das pessoas com Down era de menos de 25 anos. Agora, j\u00e1 s\u00e3o 60 anos. A alfabetiza\u00e7\u00e3o, que em 1990 era menos de 10%, continua a mesma\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sensibilizar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gontijo entende que a principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 sensibilizar. \u201cA gente s\u00f3 muda um preconceito com um novo conceito. No caso do Dudu, 17 escolas negaram o direito de ele estudar. A nossa principal bandeira hoje \u00e9 a escola inclusiva\u201d, salienta. Assim como quer o&nbsp;<em>Dudu do Cavaco<\/em>. Al\u00e9m de mais m\u00fasicas gravadas e shows, o instrumentista tem sonhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u201cQuero fazer mais palestras com meu irm\u00e3o para contar nossas hist\u00f3rias. Quero ter um filho com a minha esposa (com quem est\u00e1 casado h\u00e1 dois anos). E outro grande sonho que eu tenho \u00e9 tocar com o rei Roberto Carlos\u201d, revela. O m\u00fasico diz que est\u00e1 preparad\u00edssimo para as emo\u00e7\u00f5es que v\u00eam por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tintas que saem das m\u00e3os e dos pinc\u00e9is do artista pl\u00e1stico brasiliense L\u00facio Piantino, de 28 anos, trazem uma linguagem abstrata e de sentido humano e inclusivo concreto. O rapaz, multiartista, tamb\u00e9m atua, dan\u00e7a e faz do palco uma pr\u00f3pria casa. 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