{"id":15264,"date":"2025-02-27T20:05:00","date_gmt":"2025-02-27T23:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/?p=15264"},"modified":"2025-02-26T15:08:20","modified_gmt":"2025-02-26T18:08:20","slug":"beija-flor-vai-homenagear-laila-mestre-dos-carnavais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/2025\/02\/27\/beija-flor-vai-homenagear-laila-mestre-dos-carnavais\/","title":{"rendered":"Beija-Flor vai homenagear La\u00edla, mestre dos carnavais"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img alt=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\" src=\"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/BEIJA-FLOR-1024x613.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15267\" style=\"width:670px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/BEIJA-FLOR-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/BEIJA-FLOR-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/BEIJA-FLOR-768x459.jpg 768w, https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/BEIJA-FLOR.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos carnavais da Beija-Flor de Nil\u00f3polis que causaram maior impacto foi o de 1989, quando a escola da Baixada Fluminense desfilou com o enredo&nbsp;<em>Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia<\/em>. Uma das alegorias, que viria com um Cristo de bra\u00e7os abertos e com v\u00e1rios componentes aos p\u00e9s, representando mendigos, provocou, antes do desfile, forte pol\u00eamica com a Igreja Cat\u00f3lica, que n\u00e3o aceitou a imagem no carro aleg\u00f3rico. A\u00ed, surgiu a ideia de o Cristo passar pela avenida coberto por pl\u00e1stico preto e com uma faixa extensa onde se lia:&nbsp;<em>Mesmo Proibido, Olhai por N\u00f3s!<\/em>. At\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe se a autoria \u00e9 de Jo\u00e3osinho Trinta, carnavalesco da escola na \u00e9poca, ou de La\u00edla que era diretor de carnaval.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1631078&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1631078&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 uma discuss\u00e3o que n\u00e3o tem fim. Para mim, o que interessa \u00e9 que a Beija-Flor fez o maior carnaval da hist\u00f3ria e que o Jo\u00e3osinho Trinta \u00e9 o maior carnavalesco de todos os tempos, assim como o La\u00edla \u00e9 um dos maiores sambistas de todos os tempos\u201d, disse \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o atual carnavalesco da escola, Jo\u00e3o Vitor Ara\u00fajo. Segundo o carnavalesco, naquele ano, La\u00edla retornou \u00e0 escola a pedido de Jo\u00e3osinho, que precisava deste suporte para o enredo que considerava importante para a Beija-Flor. O esfor\u00e7o foi recompensado pelo vice-campeonato em 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 uma das hist\u00f3rias da azul e branco de Nil\u00f3polis que t\u00eam o envolvimento de La\u00edla, morto em 18 de junho de 2021. O artista \u00e9 o homenageado da escola em 2025, com o enredo&nbsp;<em>La\u00edla de Todos os Santos, La\u00edla de Todos os Sambas<\/em>.&nbsp;Para contar essa hist\u00f3ria, o Cristo n\u00e3o poderia faltar. \u201cFaremos a\u00ed uma encena\u00e7\u00e3o bem legal. \u00c9 um carnaval revolucion\u00e1rio\u201d, adiantou Jo\u00e3o Vitor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Enredo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 07\/02\/2025 - Jo\u00e3o Vitor Ara\u00fajo, carnavalesco da Beija-Flor de Nil\u00f3polis, no barrac\u00e3o da escola, na Cidade do Samba, zona portu\u00e1ria. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O carnavalesco Jo\u00e3o Vitor, no barrac\u00e3o da escola &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Beija-Flor vai mostrar na Sapuca\u00ed a trajet\u00f3ria do menino pobre do Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio. Nascido Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, se tornou La\u00edla quando come\u00e7ou a enxergar o carnaval de outra forma. \u201cO La\u00edla demorou muito a ser reconhecido, por conta do sistema, por conta do racismo. Era para ter sido reconhecido no meio de toda aquela turma [de carnavalescos], que foi lan\u00e7ada no final da d\u00e9cada de 60, como [Fernando] Pamplona, Maria Augusta, Rosa Magalh\u00e3es, Arlindo [Rodrigues], Jo\u00e3osinho [Trinta], Viriato. Ele estava l\u00e1 com eles, mas o racismo n\u00e3o deixou ele ser reconhecido. Era muito mais interessante, com respeito a todos esses mestres, mas o La\u00edla estava ali, at\u00e9 porque ele foi o suporte de todos. Ele lan\u00e7ou aqueles mestres e n\u00e3o teve o reconhecimento que merecia\u201d, lembrou o carnavalesco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o desenvolvimento do enredo, Jo\u00e3o Vitor teve uma entrevista com Maria Augusta, carnavalesca respons\u00e1vel por apresenta\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis no carnaval carioca, como&nbsp;<em>Domingo<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>O Amanh\u00e3<\/em>, ambas na Uni\u00e3o da Ilha do Governador. Na entrevista, Maria Augusta enfatizou a import\u00e2ncia de La\u00edla naquele grupo de grandes carnavalescos.<br><br>\u201cEmocionad\u00edssima,&nbsp;ela disse que quem escolhia os tecidos, os materiais para o Salgueiro, era La\u00edla. N\u00e3o eram esses artistas. Era ele quem sa\u00eda para as ruas para ver o que era melhor esteticamente para o carnaval, e ele n\u00e3o teve esse reconhecimento. Talvez pelo autodidatismo, porque foi a [\u00e9poca da] febre dos alunos oriundos da Escola de Belas Artes [EBA &#8211; da Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Ent\u00e3o foi esse embranquecimento art\u00edstico do carnaval que acabou dando uma esp\u00e9cie de crach\u00e1 para o evento dizendo: \u2018opa! o carnaval n\u00e3o \u00e9 mais o oba-oba. Ele agora \u00e9 assinado, tem dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de alunos da EBA, e o La\u00edla ficou jogado para o lado\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEle foi o La\u00edla com todas essas qualidades de forma autodidata. Ele n\u00e3o teve chance de estudar, n\u00e3o teve tempo. N\u00e3o teve esse aporte familiar e teve que trabalhar. Essa \u00e9 a realidade de muita gente. Ent\u00e3o, a escola de samba para ele, o Salgueiro, foi um ref\u00fagio de crescimento, e acho que at\u00e9 de autoconhecimento\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quest\u00f5es sociais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi o refor\u00e7o da cultura preta, de cr\u00edticas sociais e religiosidade, temas que La\u00edla gostava de ver desenvolvidos nos enredos da escola e que estar\u00e3o presentes tamb\u00e9m em 2025. \u201cA genialidade do La\u00edla \u00e9 incontest\u00e1vel e, a partir da\u00ed, era sempre o cara que estava \u00e0 frente da escolha dos enredos e sempre pautando o protagonismo preto dentro dos enredos e sempre enredos ligados \u00e0s ra\u00edzes nilopolitanas, de uma cidade da Baixada Fluminense, predominantemente, e a religiosidade\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jo\u00e3o Vitor comentou que, diferentemente da \u00e9poca em que La\u00edla come\u00e7ou a inserir a religiosidade nos enredos da Beija-Flor, hoje \u00e9 frequente as escolas trazerem esse tema. \u201c\u00c9 preciso lembrar que, quando o La\u00edla come\u00e7ou a trazer este tipo de enredo para o carnaval, todo mundo dizia que a Beija-Flor era uma escola que s\u00f3 falava de macumba, s\u00f3 falava de \u00c1frica. Hoje todo mundo [nas escolas] faz o que La\u00edla fazia. Acho maravilhoso, na era da intoler\u00e2ncia religiosa, o carnaval \u00e9 uma forma de protesto, \u00e9 um ato de resist\u00eancia. Quando se pegam as 12 escolas [do Grupo Especial] e dez est\u00e3o com enredo de tem\u00e1tica \u00c1frica, trazendo religiosidade para a avenida, muita gente est\u00e1 reclamando. Ah! \u00e9 s\u00f3 enredo afro, \u00e9 s\u00f3 orix\u00e1. N\u00e3o, isso \u00e9 maravilhoso. Essas pessoas n\u00e3o est\u00e3o enxergando o que est\u00e1 acontecendo a\u00ed fora, e o carnaval tem voz.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO La\u00edla tem esse hist\u00f3rico de pioneirismo social dentro de uma escola de samba, principalmente, dentro da Beija-Flor de Nil\u00f3polis. Tem uma outra coisa tamb\u00e9m muito importante sobre o La\u00edla. Olha o tamanho da Beija-Flor de Nil\u00f3polis. \u00c9 a terceira escola com mais t\u00edtulos no carnaval carioca. Enquanto o La\u00edla esteve na Beija-Flor, ele tinha todas as ferramentas e carta branca para trazer quem ele quisesse e sempre trazia artistas profissionais novos, desconhecidos. Ele nunca fez quest\u00e3o, nunca quis trazer medalh\u00f5es para dentro da Beija-Flor. Tanto na parte de cria\u00e7\u00e3o na comiss\u00e3o de carnaval e na parte art\u00edstica, como nos outros segmentos\u201d, destacou Jo\u00e3o Vitor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o carnavalesco, La\u00edla come\u00e7ou a ter a proje\u00e7\u00e3o devida a partir da d\u00e9cada de 90, quando isso deveria ter acontecido nos anos 60. Nessa \u00e9poca, ele adota o esquema de comiss\u00e3o de carnaval no lugar de um \u00fanico carnavalesco e d\u00e1 oportunidade a diversos profissionais em in\u00edcio de carreira e pouco conhecidos como Fran S\u00e9rgio, Amarildo de Mello e Cid Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Divis\u00e3o do enredo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"La\u00edla, diretor de carnaval da Beija-Flor: a organiza\u00e7\u00e3o da escola faz a diferen\u00e7a e garante t\u00edtulos\" title=\"Cristina Indio do Brasil - Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">La\u00edla \u00e9 o homenageado deste ano na Beija-Flor, terceira escola com mais t\u00edtulos no carnaval do Rio de Janeiro &#8211;&nbsp;<strong>Cristina Indio do Brasil\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Jo\u00e3o Vitor, o enredo da Beija-Flor \u00e9 um dos mais f\u00e1ceis de compreender neste carnaval de 2025. \u201cPor que La\u00edla de Todos os Santos? Porque eu pego ali tr\u00eas setores falando da religiosidade do La\u00edla, da f\u00e9. Tenho ali o&nbsp;<em>ori&nbsp;<\/em>ancestral, j\u00e1 que ele era um filho de Xang\u00f4 com Ians\u00e3; segundo setor, a m\u00faltipla f\u00e9 do La\u00edla, porque ele dizia que era cat\u00f3lico apost\u00f3lico romano, candomblecista e umbandista; e terceiro setor, a \u00c1frica como fundo de conhecimento e origem da ancestralidade. Ent\u00e3o, eu fecho La\u00edla de todos os santos.<br>No quarto, quinto e sexto setores, s\u00e3o o Laila de todos os sambas, quando falo do Laila produtor musical, muita gente n\u00e3o sabia. O La\u00edla respons\u00e1vel pelo sucesso de outras escolas de samba fora Beija-Flor e o \u00faltimo setor, o La\u00edla da Beija-Flor de Nil\u00f3polis e o reencontro dele com Jo\u00e3osinho Trinta\u201d, adiantou o carnavalesco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jo\u00e3o Vitor disse que chegou a ouvir o questionamento se La\u00edla poderia ser o tema de um enredo. \u201c\u00c9 porque as pessoas t\u00eam pregui\u00e7a e, infelizmente, vivemos em um pa\u00eds preconceituoso. E \u00e9 assustador quando uma pessoa olha para voc\u00ea e pergunta: &#8216;o La\u00edla d\u00e1 enredo?&#8217; Para mim, isso \u00e9 puro preconceito. Elas associam \u00e0 imagem r\u00fastica do La\u00edla, aquela cara fechada, semblante pouco amig\u00e1vel como uma pessoa que n\u00e3o merecia estar ali. Parece que a Beija-Flor \u00e9 demais para o La\u00edla. Tudo que ele fez pelo carnaval e pela Beija-Flor de Nil\u00f3polis \u00e9 digno de um, dois, tr\u00eas, quatro enredos. A Beija-Flor tem 14 t\u00edtulos, 13 com La\u00edla. \u00c9 muita coisa\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fato que muitas pessoas n\u00e3o devem conhecer \u00e9 que, mesmo sendo um grande sambista, La\u00edla era um amante da m\u00fasica cl\u00e1ssica, e essa parte da vida dele ser\u00e1 representada por uma alegoria que mostrar\u00e1 uma orquestra. \u201cProd\u00edgio com o dom de um ouvido absoluto &#8211; habilidade fenomenal que \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o singular da musicalidade, tinha a m\u00fasica cl\u00e1ssica como fonte de inspira\u00e7\u00e3o e estudo para o aperfei\u00e7oamento de seu talento exacerbado\u201d, definiu o texto que explica o enredo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Repercuss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O an\u00fancio do tema para 2025 funcionou como uma forma de acalmar os \u00e2nimos dentro da escola. Jo\u00e3o Vitor contou que a escola vinha de um oitavo lugar e havia uma onda de protesto grande pelas redes sociais. Alguns componentes chegaram a amea\u00e7ar n\u00e3o participar do tradicional desfile que ocorre depois das apresenta\u00e7\u00f5es no S\u00e1bado das Campe\u00e3s, na Estrada da Mirandela, via importante de Nil\u00f3polis com integrantes fantasiados. \u201cFoi muito dif\u00edcil, foi um momento horroroso para a gente, o p\u00f3s-carnaval. Quando a gente anuncia um enredo logo depois do desfile e do resultado do carnaval de 2024 \u00e9 como se voc\u00ea estivesse entrando ali com uma UPP na Beija-Flor, Unidade de Pol\u00edcia Pacificadora. A coisa se acalmou de uma tal forma, porque pegou no cora\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA not\u00edcia de que o enredo seria o La\u00edla foi uma not\u00edcia que chegou na hora certa. Tinha que ver a Mirandela lotada. Os componentes todos l\u00e1. Aqueles boatos, aquelas amea\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o existiam mais. Virou o jogo\u201d, dpontuou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Samba<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Jo\u00e3o Vitor, o clima de empolga\u00e7\u00e3o se deu tamb\u00e9m na disputa do samba-enredo. \u201cFoi uma das melhores disputas que eu j\u00e1 participei na vida, nessa minha carreira. O samba era unanimidade na quadra. T\u00ednhamos dois, tr\u00eas sambas. \u00c9 muito bom quando as semanas v\u00e3o passando, e as pessoas v\u00e3o apontando para um determinado samba. A gente vai prestando aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pode esbo\u00e7ar nenhum tipo de sentimento, embora tenha prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando \u00e9 um samba que a torcida e a comunidade abra\u00e7am, n\u00e3o tem jeito. O outro samba que perdeu era muito bom, era o famoso sentido do tanto faz. Samba 1 ou samba 5. S\u00f3 que, quando o samba 5 entrou para se apresentar, a quadra toda come\u00e7ou a cantar antes. Voc\u00ea percebia nitidamente que aquilo n\u00e3o era torcida. Era Beija-Flor\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que na letra do samba h\u00e1 uma refer\u00eancia de La\u00edla como um<em>&nbsp;gri\u00f4<\/em>, que, na cultura africana, \u00e9 a pessoa mais antiga de uma comunidade respons\u00e1vel por passar todo o seu conhecimento para os mais jovens. \u201cExatamente. Ele parece de fato um<em>&nbsp;gri\u00f4<\/em>, n\u00e3o s\u00f3 fisicamente, porque parece de fato, mas por todo o conhecimento que tinha. O melhor de tudo \u00e9 que ele ensinava tudo. Exatamente o que o&nbsp;<em>gri\u00f4<\/em>&nbsp;fazia, sentava-se aos p\u00e9s do baob\u00e1 e contava hist\u00f3rias para os mais novos\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Barrac\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 07\/02\/2025 - Confec\u00e7\u00e3o de fantasias para o carnaval no barrac\u00e3o da escola de samba Beija-Flor de Nil\u00f3polis, na Cidade do Samba, zona portu\u00e1ria. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artes\u00e3o confecciona fantasia da Beija-Flor &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia Rego\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O empenho est\u00e1 nos m\u00ednimos detalhes. Dentro do barrac\u00e3o, Mauro de Oliveira, chamado no mundo do carnaval de Cara Preta, trabalha na realiza\u00e7\u00e3o de esculturas. O amor pela fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de agora. Faz 33 anos que ele cumpre a sua fun\u00e7\u00e3o onde o desfile \u00e9 preparado. Saber que est\u00e1 fazendo tudo isso para contar a hist\u00f3ria de La\u00edla, com quem trabalhou durante muito tempo, \u00e9 motivo de orgulho. \u201c\u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o muito grande. Eu acompanhei a trajet\u00f3ria dele de 89 pra c\u00e1 e \u00e9 uma coisa que estou esperando muito. Acho que \u00e9 o carnaval mais esperado da escola. \u00c9 sobre o mestre La\u00edla. \u00c9 gratid\u00e3o por tudo que ele fez pela escola\u201d, dividiu a sua mem\u00f3ria, destacando que o ensaio t\u00e9cnico que a Beija-Flor fez na Sapuca\u00ed no dia 1\u00ba de fevereiro j\u00e1 deu uma mostra do que vem pela frente. \u201cA gente espera uma explos\u00e3o de alegria\u201d.<br><br>Jo\u00e3o Vitor tamb\u00e9m est\u00e1 confiante em um bom desfile, com possibilidade de ganhar o t\u00edtulo. \u201cO La\u00edla nos aben\u00e7oou. Quando esse enredo foi apresentado para mim, eu n\u00e3o sei o que eu senti, se era um sentimento de felicidade, de medo. S\u00f3 sei que sa\u00ed daqui congelado. Fui para casa e, quando dormi, sonhei com ele, sonhei com ele na Pra\u00e7a da Apoteose. Ele me olhava, sorria e fazia um gesto de abra\u00e7o. Ent\u00e3o eu falei: \u2018isso vai dar certo\u2019. \u00c9 o que ele quer e quer que eu fa\u00e7a. Ele veio confirmar. Foi o \u00fanico sonho que tive com ele\u201d, revelou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos carnavais da Beija-Flor de Nil\u00f3polis que causaram maior impacto foi o de 1989, quando a escola da Baixada Fluminense desfilou com o enredo&nbsp;Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia. Uma das alegorias, que viria com um Cristo de bra\u00e7os abertos e com v\u00e1rios componentes aos p\u00e9s, representando mendigos, provocou, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15267,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_seopress_robots_follow":"","_seopress_robots_imageindex":"","_seopress_robots_snippet":"","_seopress_robots_primary_cat":"none","_seopress_robots_breadcrumbs":"","_seopress_robots_freeze_modified_date":"","_seopress_robots_custom_modified_date":"","_seopress_robots_canonical":"","_seopress_social_fb_title":"","_seopress_social_fb_desc":"","_seopress_social_fb_img":"","_seopress_social_fb_img_attachment_id":0,"_seopress_social_fb_img_width":0,"_seopress_social_fb_img_height":0,"_seopress_social_twitter_title":"","_seopress_social_twitter_desc":"","_seopress_social_twitter_img":"","_seopress_social_twitter_img_attachment_id":0,"_seopress_social_twitter_img_width":0,"_seopress_social_twitter_img_height":0,"_seopress_redirections_value":"","_seopress_redirections_enabled":"","_seopress_redirections_enabled_regex":"","_seopress_redirections_logged_status":"both","_seopress_redirections_param":"","_seopress_redirections_type":301,"_seopress_analysis_target_kw":"","footnotes":""},"categories":[57,60,72],"tags":[],"class_list":["post-15264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-artes","category-estado-rj","category-ultimas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15264"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15269,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15264\/revisions\/15269"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}