{"id":18246,"date":"2025-05-27T14:13:06","date_gmt":"2025-05-27T17:13:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/?p=18246"},"modified":"2025-05-27T14:13:06","modified_gmt":"2025-05-27T17:13:06","slug":"mpf-e-tjrj-lancam-livro-e-exposicao-sobre-arquivos-da-escravidao-no-vale-do-paraiba-fluminense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/2025\/05\/27\/mpf-e-tjrj-lancam-livro-e-exposicao-sobre-arquivos-da-escravidao-no-vale-do-paraiba-fluminense\/","title":{"rendered":"MPF e TJRJ lan\u00e7am livro e exposi\u00e7\u00e3o sobre arquivos da escravid\u00e3o no Vale do Para\u00edba Fluminense"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No pr\u00f3ximo dia 29 de maio, a partir de 17h, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) lan\u00e7am o livro O Vale da Escravid\u00e3o: Hist\u00f3rias de Escravizados nos Arquivos do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro, no Museu da Justi\u00e7a do Rio de Janeiro. A iniciativa, composta tamb\u00e9m por uma exposi\u00e7\u00e3o, integra o projeto Arquivos Judiciais da Escravid\u00e3o no Vale do Para\u00edba Fluminense, desenvolvido em parceria entre o MPF e o TJRJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cerim\u00f4nia \u00e9 aberta ao p\u00fablico e contar\u00e1 com a presen\u00e7a do presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto de Castro, da subprocuradora-geral da Rep\u00fablica, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, al\u00e9m dos organizadores e coautores do livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Editado pelas duas institui\u00e7\u00f5es, o livro e a exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o frutos de um trabalho conjunto voltado \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de documentos judiciais relacionados \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0s lutas por liberdade de pessoas negras no s\u00e9culo XIX, no Vale do Para\u00edba. A obra re\u00fane 13 artigos assinados por historiadores, cientistas sociais e integrantes do Arquivo Geral do TJRJ e do Museu da Justi\u00e7a, baseados na an\u00e1lise de processos c\u00edveis e criminais envolvendo pessoas escravizadas no Vale do Para\u00edba Fluminense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O procurador da Rep\u00fablica Sergio Gardenghi Suiama, que coorganizou o livro, afirma que o objetivo principal da obra \u00e9 iluminar as hist\u00f3rias destas pessoas e mostrar que a liberdade n\u00e3o foi uma d\u00e1diva do 13 de maio de 1888, mas sim uma conquista de milhares de pessoas envolvidas em lit\u00edgios judiciais para a emancipa\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos muito felizes de contar com um grupo t\u00e3o qualificado de historiadores e pesquisadores da escravid\u00e3o no Vale do Para\u00edba para contar essas hist\u00f3rias\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A subprocuradora-geral da Rep\u00fablica Luiza Cristina Frischeisen, que coordena a C\u00e2mara de Meio Ambiente e Patrim\u00f4nio Cultural do MPF (4CCR), enfatiza que \u201cpreservar, estudar e divulgar os arquivos judiciais da escravid\u00e3o \u00e9 um dever do Estado brasileiro com os descendentes das pessoas escravizadas \u2013 e tamb\u00e9m um passo essencial para enfrentar as injusti\u00e7as hist\u00f3ricas que ainda persistem na nossa sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da mem\u00f3ria<\/strong>&nbsp;\u2013 O projeto Arquivos Judiciais da Escravid\u00e3o no Vale do Para\u00edba Fluminense \u00e9 uma iniciativa conjunta do TJRJ e do MPF. Lan\u00e7ado em maio de 2024, busca identificar, mapear e contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o dos processos judiciais relacionados \u00e0 escravid\u00e3o e \u00e0 liberdade de pessoas negras no Brasil do s\u00e9culo XIX, depositados nos arquivos do pr\u00f3prio Tribunal de Justi\u00e7a e em munic\u00edpios do Vale do Para\u00edba fluminense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes: identifica\u00e7\u00e3o e visita aos acervos judiciais mantidos em munic\u00edpios do Vale do Para\u00edba Fluminense, doa\u00e7\u00e3o de equipamentos para possibilitar a conserva\u00e7\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o dos acervos processuais mantidos em Pira\u00ed e Rio Claro e organiza\u00e7\u00e3o de livro, exposi\u00e7\u00e3o e semin\u00e1rio voltados \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias de pessoas escravizadas no Vale do Para\u00edba, registradas em processos judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Participam do projeto, pelo MPF, o N\u00facleo do Meio Ambiente e Patrim\u00f4nio Cultural da Procuradoria da Rep\u00fablica no Rio de Janeiro e a 4CCR, e, pelo TJRJ, o Museu da Justi\u00e7a, o Servi\u00e7o de Acervo Textual, Audiovisual e de Pesquisas Hist\u00f3ricas (Seata), o Departamento de Gest\u00e3o do Conhecimento Institucional (Decco) e o Departamento de Gest\u00e3o de Acervos Arquiv\u00edsticos\/Divis\u00e3o da Gest\u00e3o de Documentos (Degea\/Diged).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00e3o de obra escravizada<\/strong>&nbsp;\u2013 No s\u00e9culo XIX, o Vale do Para\u00edba Fluminense destacou-se como um dos principais polos da economia escravista no Brasil. A regi\u00e3o, estrategicamente localizada entre Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, tornou-se epicentro da expans\u00e3o cafeeira imperial, marcada por um modelo de plantations altamente dependente da m\u00e3o de obra escravizada. A paisagem da regi\u00e3o foi moldada por grandes propriedades rurais e uma aristocracia agr\u00e1ria que acumulava riqueza, poder pol\u00edtico e prest\u00edgio social \u2013 sustentados pela explora\u00e7\u00e3o intensiva do trabalho escravo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de africanos tenha sido oficialmente proibido pela Lei Feij\u00f3, de 1831, a legisla\u00e7\u00e3o permaneceu amplamente ineficaz por d\u00e9cadas. No Vale do Para\u00edba, como em outras regi\u00f5es do Imp\u00e9rio, persistiu a entrada clandestina de africanos escravizados, em articula\u00e7\u00e3o com redes locais e internacionais de tr\u00e1fico ilegal. Estudos indicam que uma parcela significativa dos cativos presentes nas fazendas da regi\u00e3o durante as d\u00e9cadas de 1830 a 1850 foi ilegalmente importada, em flagrante descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o brasileira e dos tratados internacionais firmados pelo pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o foi, assim, palco de uma profunda contradi\u00e7\u00e3o entre o ordenamento jur\u00eddico e a pr\u00e1tica social e econ\u00f4mica. Essa tens\u00e3o manifesta-se em in\u00fameros processos judiciais preservados nos arquivos do TJRJ e em fundos custodiados por prefeituras e institui\u00e7\u00f5es locais. Nesses documentos, \u00e9 poss\u00edvel identificar a\u00e7\u00f5es de liberdade, acusa\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fico ilegal, lit\u00edgios envolvendo cartas de alforria, e conflitos entre escravizados e senhores \u2013 vest\u00edgios concretos da luta por direitos e da resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lan\u00e7amento do livro e da exposi\u00e7\u00e3o O Vale da Escravid\u00e3o: Hist\u00f3rias de Escravizados nos Arquivos do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro<br><\/strong><strong>Data:<\/strong>&nbsp;29 de maio de 2025<br><strong>Hora:<\/strong>&nbsp;17h<br><strong>Local:<\/strong>&nbsp;Museu da Justi\u00e7a do Rio de Janeiro, na Rua Dom Manuel, 29, Centro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 29 de maio, a partir de 17h, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) lan\u00e7am o livro O Vale da Escravid\u00e3o: Hist\u00f3rias de Escravizados nos Arquivos do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro, no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18247,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_seopress_robots_follow":"","_seopress_robots_imageindex":"","_seopress_robots_snippet":"","_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_robots_breadcrumbs":"","_seopress_robots_freeze_modified_date":"","_seopress_robots_custom_modified_date":"","_seopress_robots_canonical":"","_seopress_social_fb_title":"","_seopress_social_fb_desc":"","_seopress_social_fb_img":"","_seopress_social_fb_img_attachment_id":0,"_seopress_social_fb_img_width":0,"_seopress_social_fb_img_height":0,"_seopress_social_twitter_title":"","_seopress_social_twitter_desc":"","_seopress_social_twitter_img":"","_seopress_social_twitter_img_attachment_id":0,"_seopress_social_twitter_img_width":0,"_seopress_social_twitter_img_height":0,"_seopress_redirections_value":"","_seopress_redirections_enabled":"","_seopress_redirections_enabled_regex":"","_seopress_redirections_logged_status":"","_seopress_redirections_param":"","_seopress_redirections_type":0,"_seopress_analysis_target_kw":"","footnotes":""},"categories":[80,60,72],"tags":[],"class_list":["post-18246","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade","category-estado-rj","category-ultimas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18246"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18246\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18248,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18246\/revisions\/18248"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}