{"id":19482,"date":"2025-06-30T10:17:33","date_gmt":"2025-06-30T13:17:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/?p=19482"},"modified":"2025-06-30T10:17:35","modified_gmt":"2025-06-30T13:17:35","slug":"quilombos-do-medio-paraiba-se-reunem-em-valenca-para-celebrar-ancestralidade-e-reivindicar-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalponto.com\/site\/2025\/06\/30\/quilombos-do-medio-paraiba-se-reunem-em-valenca-para-celebrar-ancestralidade-e-reivindicar-direitos\/","title":{"rendered":"Quilombos do M\u00e9dio Para\u00edba se re\u00fanem em Valen\u00e7a para celebrar ancestralidade e reivindicar direitos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O 1\u00ba Encontro de Quilombos do M\u00e9dio Para\u00edba, realizado no Centro Cultural Na\u00e7\u00e3o Mesti\u00e7a, em Valen\u00e7a, marcou um momento hist\u00f3rico para a cultura afro-brasileira na regi\u00e3o. O evento, que aconteceu ao longo de dois dias, reuniu mestres de cultura, lideran\u00e7as quilombolas, representantes do poder p\u00fablico e autoridades culturais em uma programa\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es e \u00e0 escuta ativa das demandas das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rodas de conversa, oficinas, apresenta\u00e7\u00f5es culturais e depoimentos emocionantes, o encontro proporcionou uma troca intensa de saberes e reafirmou a luta dos povos quilombolas por reconhecimento, visibilidade e pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Vozes que ecoaram resist\u00eancia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mestres de diversas cidades trouxeram relatos marcantes. Mestre Tota, do Comit\u00ea de Cultura do Vale do Caf\u00e9 e organizador do evento, destacou a import\u00e2ncia de dar espa\u00e7o aos quilombos que, muitas vezes, s\u00f3 s\u00e3o lembrados em datas comemorativas. Ele pontuou os avan\u00e7os conquistados com os fomentos federais, mas refor\u00e7ou a necessidade de mais apoio e capacita\u00e7\u00e3o para os fazedores de cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mestre Cosme, de Barra do Pira\u00ed, falou sobre a dificuldade de manter o Jongo ativo na cidade por falta de espa\u00e7o f\u00edsico adequado. Mestre Almir e Cida, do Quilombo S\u00e3o Jos\u00e9 da Serra \u2014 o maior do estado \u2014, pediram apoio para transporte, especialmente para o grupo de Jongo e as crian\u00e7as da comunidade. \u201cNosso quilombo est\u00e1 esquecido. Precisamos ser vistos e ouvidos\u201d, afirmou Cida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 Mestre Edigar, de Cachoeira do Arrozal, alertou para o risco de a cultura do Jongo desaparecer por falta de oficinas voltadas \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. E Mestre Marisco, de Angra dos Reis, emocionou o p\u00fablico ao lembrar o legado de Mestre Toninho Canec\u00e3o e refletir sobre a dimens\u00e3o da luta negra al\u00e9m da cultura popular.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Lenda do Baob\u00e1 e conex\u00e3o ancestral<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos momentos mais simb\u00f3licos foi a partilha da lenda do Baob\u00e1 durante a oficina de Jongo, conduzida por Mestres Marisco e Cosme. A \u00e1rvore sagrada africana foi apresentada como s\u00edmbolo de resist\u00eancia e ancestralidade, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de manter viva a mem\u00f3ria dos antepassados.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Participa\u00e7\u00e3o de autoridades<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e3e Lilian, Ialorix\u00e1, falou sobre a relev\u00e2ncia dos quilombos para a preserva\u00e7\u00e3o da cultura afro. A presidente do Conselho de Cultura de Valen\u00e7a, Mariana Ferraz, defendeu a cria\u00e7\u00e3o de um mapeamento das comunidades e uma rede de apoio estruturada entre elas. J\u00e1 Tha\u00eds Sobreira, do Coletivo de Mulheres Negras, destacou a vulnerabilidade das m\u00e3es quilombolas e a urg\u00eancia de pol\u00edticas espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O secret\u00e1rio de Cultura e Turismo de Valen\u00e7a, Ant\u00f4nio Carlos, reconheceu a import\u00e2ncia do Quilombo S\u00e3o Jos\u00e9 e se comprometeu a estreitar la\u00e7os com a comunidade. \u201cPol\u00edtica p\u00fablica vai muito al\u00e9m de leis de incentivo. O gabinete est\u00e1 de portas abertas\u201d, afirmou. Edu Nascimento, representante do Minist\u00e9rio da Cultura, refor\u00e7ou o compromisso do governo federal com o fortalecimento das culturas tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Celebra\u00e7\u00f5es, oficinas e futuro<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No domingo, as atividades se encerraram com oficinas de Capoeira, Jongo e o batizado dos alunos da Na\u00e7\u00e3o Mesti\u00e7a. A cerim\u00f4nia de encerramento foi marcada pela apresenta\u00e7\u00e3o da Folia de Reis, que levou f\u00e9 e emo\u00e7\u00e3o ao palco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estudante Suellen, do projeto Vit\u00f3ria R\u00e9gia, resumiu o sentimento de muitos participantes: \u201cEssa experi\u00eancia \u00e9 muito rica. Nossa cultura precisa ser valorizada, e a Na\u00e7\u00e3o Mesti\u00e7a est\u00e1 aqui para isso: levar cultura ao povo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Realiza\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento foi promovido pelo Centro Cultural Na\u00e7\u00e3o Mesti\u00e7a, em parceria com o Instituto Floresta, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Minist\u00e9rio da Cultura e Governo Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 1\u00ba Encontro de Quilombos do M\u00e9dio Para\u00edba, realizado no Centro Cultural Na\u00e7\u00e3o Mesti\u00e7a, em Valen\u00e7a, marcou um momento hist\u00f3rico para a cultura afro-brasileira na regi\u00e3o. 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