
Tico Balanço
Após 13 anos, o Carnaval de Barra Mansa voltará a ser realizado no Parque da Cidade, antigo quartel. A decisão vem gerando intensos debates entre moradores, foliões e representantes das agremiações carnavalescas. A mudança surpreende parte da população, especialmente após o sucesso da edição do ano passado, realizada na nova Avenida Rosevelt Brasil, que recebeu ampla aprovação do público.
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Vale lembrar que os eventos natalinos de 2025 foram realizados justamente na Avenida Rosevelt Brasil, em algumas ocasiões reunindo público muito superior ao registrado durante o carnaval. Esse dado tem sido utilizado por críticos da decisão como argumento de que o centro da cidade ainda comporta grandes eventos com segurança.
A história recente do carnaval no município remonta ao dia 8 de dezembro de 2012, quando uma reunião na sede da Aciap-BM (Associação Comercial, Industrial, Agropastoril e Prestadora de Serviços de Barra Mansa) reuniu diretores de escolas de samba e blocos carnavalescos, vereadores, o então secretário de Cultura, Cláudio Chiesse, e o prefeito Jonas Marins. Na ocasião, ficou selada a volta dos desfiles das agremiações para a Avenida Joaquim Leite, após anos em que a festa havia sido realizada no Parque da Cidade, durante as administrações do saudoso prefeito Rosevelt Brasil e de seu sucessor, José Renato.
Agora, a Prefeitura anuncia o retorno ao Parque da Cidade, reacendendo a discussão sobre o melhor local para a maior festa popular do país no município. Questionado sobre a decisão, o presidente da Fundação Cultura, Alexandre Caneda, explicou que a escolha foi motivada principalmente por critérios de segurança e conforto.
“A decisão foi tomada visando o conforto e a segurança dos foliões, pois a área central da cidade já não comporta o aumento do público registrado no ano passado. O Parque da Cidade, além de oferecer mais segurança e conforto, já possui estrutura adequada para grandes eventos”, afirmou.
Caneda ressaltou ainda que o espaço já demonstrou sua capacidade em 2025, ao sediar eventos como a ExpoCristã, a ExpoBM e os shows de Diogo Nogueira e do cantor Lobão.
Entretanto, nomes tradicionais do carnaval local manifestaram posicionamentos contrários à mudança. A sambista Angelina, conhecida como Tia G da Cotiara, foi direta ao comentar a decisão:
“Na minha opinião, o carnaval não deveria voltar para o Parque da Cidade. Acho que é um desrespeito à cultura do carnaval de Barra Mansa, que no passado era um dos maiores do Sul do Estado. Seria bem melhor no centro da cidade. Essa é a minha humilde opinião”, declarou.
Já o intérprete Kiko, do Bloco do Boi, adotou um tom mais conciliador, defendendo um modelo híbrido:
“No Parque da Cidade podemos ter uma estrutura melhor para a população. Mas os blocos têm que ser nas ruas. Já é tradição de Barra Mansa, até para dar opções depois para a população. Blocos nas ruas, shows no Parque da Cidade”, ponderou.
O radialista Cláudio Chiesse, que esteve à frente da Cultura quando o carnaval retornou ao centro da cidade, em 2013, também se posicionou de forma contundente:
“Sou contra a mudança do carnaval para o Parque da Cidade. O carnaval é uma festa de rua, e o centro da cidade é o local mais democrático, onde a infraestrutura de transporte facilita o acesso de toda a população. Transferir a folia para um local fechado como o Parque da Cidade elitiza o evento, enfraquece o comércio local e retira o calor humano e a espontaneidade que só o espaço público tradicional oferece. Que o Parque da Cidade continue sendo um espaço de lazer essencial, mas que o carnaval siga pulsando onde ele nasceu e pertence: nos braços do povo, nas ruas centrais da nossa cidade.”
Outro ícone do samba e do carnaval barramansense, Elson do Art, reforçou as críticas e acrescentou um ponto prático à discussão:
“Não acho legal a volta do carnaval de Barra Mansa para o Parque da Cidade. Barra Mansa tem por tradição o seu carnaval de rua. E ainda tem o problema de acesso, já que a passagem de nível da Avenida Prefeito João Chiesse Filho foi fechada”, afirmou.
Sobre a programação e as atrações do carnaval deste ano, Alexandre Caneda informou que ainda não pode divulgar detalhes. Segundo ele, os contratos com artistas e atrações não foram assinados, o que impede a divulgação oficial neste momento.
As manifestações refletem o sentimento dividido na cidade: de um lado, a busca por mais segurança, conforto e infraestrutura; de outro, a defesa da tradição, da acessibilidade e da presença do carnaval no coração urbano. O debate segue aberto e expõe o desafio de conciliar crescimento do público, logística e identidade cultural em uma festa que mobiliza toda Barra Mansa.



