
Operação aponta falta de licenciamento, poluição e riscos à saúde pública; multas podem ultrapassar R$ 2 milhões
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) realizou, na última segunda-feira (26), uma operação que resultou na interdição de duas unidades de uma indústria avícola em Barra do Piraí, no Sul Fluminense. As estruturas fazem parte de um conjunto de oito granjas que estariam funcionando sem a devida licença ambiental, em desacordo com a legislação.
De acordo com o órgão, além da ausência de licenciamento, foram constatadas diversas irregularidades. Entre elas, a captação de água superficial sem autorização, emissão de poluentes atmosféricos provenientes da queima inadequada de resíduos animais, contaminação do solo por resíduos oleosos de geradores, além de problemas relacionados a maus-tratos de animais e falhas no controle de vetores, como a proliferação de insetos. As infrações podem gerar multas que ultrapassam R$ 2 milhões.
Cerca de 40 agentes participaram da ação. A operação é desdobramento de um processo administrativo iniciado em 2025, após queixas de moradores sobre odor intenso e aumento significativo de moscas na região.
Antes da interdição, a Diretoria de Licenciamento Ambiental do Inea realizou inspeções técnicas, promoveu reuniões com representantes da empresa e emitiu notificações com exigências para correção das irregularidades. Também foi sugerida a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). No entanto, segundo o órgão, as medidas não foram adotadas dentro do prazo de 90 dias estabelecido.
O secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, afirmou que a medida foi necessária diante do descumprimento reiterado das normas ambientais. Segundo ele, a atuação do instituto visa assegurar que as atividades econômicas ocorram de forma regular, sem comprometer a saúde da população e o meio ambiente.
Com essa ação, sobe para três o número de unidades da mesma empresa interditadas, incluindo uma granja fechada anteriormente em Rio Claro, no fim do ano passado. As demais unidades continuam sob acompanhamento do órgão ambiental.
O Inea informou que a interdição foi adotada após o esgotamento dos prazos concedidos para regularização e reforça o compromisso do Estado com a proteção ambiental, a saúde pública e a qualidade de vida da população.



