
A Justiça decidiu manter a reintegração de posse de uma área ocupada por aproximadamente 50 famílias na região de divisa entre Barra Mansa e Volta Redonda, às margens do Rio Paraíba do Sul. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (20) pelo juiz Guilherme Martins Freire, da 3ª Vara Cível de Barra Mansa. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Foco Regional e confirmadas pelo Jornal Ponto.
O magistrado rejeitou os pedidos apresentados pela defesa dos moradores para adiar o cumprimento da ordem judicial. Segundo a decisão, os argumentos apresentados não seriam suficientes para suspender ou postergar a reintegração.
As famílias que vivem nas ocupações conhecidas como “Reflexo do Amanhã” e “da Paz”, localizadas nos bairros Belmonte e Padre Josimo, foram informadas pelo 28º Batalhão da Polícia Militar de que a operação para cumprimento do mandado está prevista para o dia 31 de agosto.
Diante da manutenção da ordem judicial, os moradores agora aguardam uma possível solução por meio da desapropriação da área. Uma das alternativas defendidas pelas famílias é a assinatura de um decreto pelo prefeito de Volta Redonda, Antonio Francisco Neto.
No mês passado, o prefeito se reuniu com representantes do Ministério das Cidades e do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj). Na ocasião, a Secretaria Nacional das Periferias teria confirmado a disponibilidade de recursos para que o município possa desapropriar e posteriormente urbanizar as áreas ocupadas, que somam menos de um hectare.
Na segunda-feira (17), moradores das duas ocupações, acompanhados por representantes de movimentos sociais, participaram da sessão da Câmara Municipal de Volta Redonda em busca de apoio para evitar a retirada das famílias. No dia seguinte, eles também procuraram o deputado Munir Neto, irmão do prefeito, durante um evento de campanha, solicitando que ele intercedesse junto à administração municipal.
Segundo os moradores, o parlamentar teria se comprometido a participar de uma reunião com as famílias e os advogados Jad Tristinny e Talles Medeiros até a próxima segunda-feira (24).
Histórico da ocupação
A área começou a ser ocupada em 2020. Desde então, segundo os moradores, muitas famílias passaram a cultivar alimentos e criar animais destinados principalmente ao próprio consumo.
No local também foi construído um espaço comunitário utilizado para diferentes atividades, entre elas reforço escolar para crianças da Escola Municipal Palmares, no Padre Josimo, encontros sobre prevenção de preconceito e violência, comemorações e reuniões relacionadas à tentativa de regularização da ocupação.
A disputa judicial teve início em 2021, quando a empresa Mape Incorporação e Empreendimentos, com sede no Rio de Janeiro, entrou com uma ação solicitando a reintegração de posse do terreno.
Desde então, o processo se estendeu por vários anos. Duas ordens de reintegração chegaram a ser expedidas em 2021, uma em março e outra em agosto. Agora, em 2026, a Justiça determinou novamente a desocupação da área, com cumprimento previsto para o próximo dia 31.



