Um ex-tesoureiro da Prefeitura de Barra Mansa foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a oito anos, 10 meses e 20 dias de prisão por desvios de recursos públicos que ultrapassam R$ 13 milhões. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parte do dinheiro teria sido utilizada para cobrir prejuízos acumulados em apostas on-line.
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O caso envolve recursos administrados pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. O ex-servidor, que era concursado havia 13 anos, ocupava o cargo de confiança de tesoureiro da pasta há aproximadamente cinco anos.
A condenação é pelos crimes de peculato-desvio e inserção de dados falsos em sistema de informações. A pena deverá começar a ser cumprida em regime fechado. A sentença também determinou a perda do cargo público, a manutenção da prisão preventiva e o pagamento mínimo de R$ 13 milhões para reparação dos prejuízos causados aos cofres municipais.
Desvios teriam ocorrido durante cinco anos
De acordo com uma auditoria contábil e uma tomada de contas especial realizadas pela Prefeitura de Barra Mansa, as irregularidades ocorreram entre 2020 e 2025.
Conforme apontado no processo, o então tesoureiro possuía acesso exclusivo às contas e às senhas de fundos assistenciais do município. A partir desse acesso, teriam sido feitas diversas transferências consideradas irregulares, inclusive por meio do sistema Pix.
Os valores teriam sido direcionados para contas de titularidade do próprio servidor, de seu pai e também para empresas sem vínculo contratual com a administração municipal.
Ainda segundo as informações apresentadas no processo, parte das movimentações foi realizada durante a madrugada, em períodos de férias e fora do horário regular de expediente.
Entre os recursos atingidos estavam verbas do Fundo Municipal de Assistência Social, do Fundo dos Direitos do Idoso, do Fundo para Criança e Adolescente e do programa Restaurante do Povo.
Apostas on-line
Durante a investigação, o ex-tesoureiro afirmou às autoridades que o volume dos desvios teria aumentado após o desenvolvimento de um vício em apostas realizadas em plataformas digitais.
Em uma manifestação apresentada à Justiça, ele declarou ter movimentado aproximadamente R$ 60 milhões em jogos de azar somente em 2025. Para a Justiça, o montante seria incompatível com os rendimentos obtidos por um servidor público municipal.
Segundo a versão apresentada no processo, parte do dinheiro retirado dos cofres públicos era usada para tentar compensar perdas acumuladas nas apostas. A intenção relatada seria recuperar os valores e, posteriormente, devolver os recursos aos fundos municipais.
Prejuízo aos cofres públicos
A tomada de contas especial conduzida pelo município identificou desvios superiores a R$ 13 milhões no período analisado.
Na sentença, a Justiça considerou comprovadas as irregularidades e responsabilizou o ex-tesoureiro pelos crimes pelos quais foi condenado.
Além da pena de prisão, foi estabelecido o valor mínimo de R$ 13 milhões para reparação dos danos ao patrimônio público. O valor poderá ser revisto ou complementado caso novas apurações identifiquem prejuízos adicionais.


